Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

07 outubro 2008

A imprevisibilidade da emoção sempre altera a intenção

Com sua bolsa trançada quase como se fossem fitas ela foi com um meio sorriso no rosto. Era um meio sorriso porque assim se sentia: um tanto contente com o que lhe viria, mas, a despedida anunciada causava-lhe um certo aperto no peito e como consequência uma diminuição de sua abertura para o riso. Havia se passado 3 dias da boa-nova e ela ainda sofria em deixar aquela caixa preta pra depois, pru'm outro dia, para o ano que viria. Foi com suas coisinhas de lá acomodadas em sua bolsa cênica, foi com saudade, foi com emoção verdadeira. Pensou em só observar, pensou em se aquietar na platéia. Foi convidada a entrar ... à ser partícipe. Foi ao centro. Enquanto o riso diminuía os olhos se ampliavam: viu encantada cada improviso dos seus, das suas. Uma aula tão linda! Olhos tão abertos, tantas trocas, corpos mais eretos, vida pulsada e expressada em forma de arte, desenhos cênicos. Aquela sonoridade inventada saía das bocas em sons:Uó, Ei, Muúa, Uô, Uiii, Ió, Iô. E o corpo foi junto com cada sílaba, foi livre criando desenhos inimagináveis, quebrando códigos corporais. Um corpo que se ia... afastando-se da repetição, da padronização, da robotização do pensar-sentir-agir. Unidade.
Tantas eram aquelas imensidões, tantas foram algumas pequenezas.
Emocionou-se na última fala mas disse o que sempre quis ter dito. Sentiu o que pensou não ser tão intenso, olhou nos olhos e disse coisas ao pé do ouvido ... esqueceu de algumas e disse outras à mais. A imprevisibilidade da emoção sempre altera a intenção.
Uma espécie de névoa pairou sobre todos (as) e daquele círculo se fez uma roda e os olhos lhe disseram em cirandas. Deixou o sal escorrer, deixou o corpo encolher e se despediu. Deixou as portas abertas. Deixaram-na pra ela também. Por algum tempo era para outro lugar que ela levaria sua bolsa junto com seu coração. Seria um novo tempo, formatado em outra linguagem, um pouco mais nova do que a da caixa preta. Ela se veria um tanto à mais e começava a gostar disso: Ação!
Agradeceu um pouquinho mais do que há horas atrás. Agradeceu e se deixou ir.

4 comentários:

Biana França disse...

Humm, se despediu por quê? Outros caminhos?!?
Me conta, tá!
Quanta emoção, hein?
Coisa mais linda, mais vibrante, não é mesmo?
Bjus.

Fiona de Bourbon disse...

Bel. Bel. Beuôôô!

Posso te pedir uma coisa? Uma coisinha de nada, posso? Vou pedir.
Amanhã coloca umas fotos dos seus mimos novos aqui, antes que eles fiquem veeeelhos e aí neeeem tenha mais graça. Tô pedindo há um mes :P e tu nem tchuns. Vai ser bom, anda. A gente faz uma reuniãozinha aqui na sua sala e faz a festa com os pisentes do Tujú. Nem te custa! Eu nem bagunço muito. Prometo.
Amanha eu venho, viu?
beijoooo

Bel disse...

Cris...querida.
Não vou poder te atender. Fico inibida com essa auto-exposição mercadológica. Mas os mimos foram de matriz tecnológica mesmo.Aquele Voizinho pequeno de 11 polegadas. Uma máquininha fotográfica, um tênis Puma que não me serviu e que fiz negócio com a minha mãezinha e um perfume da L'Ocittane de Baunilha...que amei. Uma malha branca (casaquinho) de ginástica. Uns creminhos da Lâncome e umas coisinhas de pintar. Satisfiz meia parte do teu pedido. Mostrarei minhas novas comprinhas de roupa...na próxima liquidação, tá? Disso eu não me envergonho.
Um beijo, estalado. Desculpe-me.
Bel.

Fiona de Bourbon disse...

Querida, desculpa entao. Foi só uma curiosidade festiva. Já passou.
bj