Casa di Bebel ... Cosinhas da Bel.

Casa di Bebel ... Cosinhas da Bel.

04 Dezembro 2009

Faz de Conta ...

Ela nunca soube fazer de conta. Nunca gostou de faz de conta. Nem aquele da Branca de Neve apesar de ser uma das Das Neves. Ela nunca quis casar na Igreja e não casou. Nunca quis ser mãe e não seria. Nunca quis ficar quando já havia partido. Falavam da sua visceralidade de alma. Sinalizavam para se aquietar de novo e mais uma vez. Contornavam seus dizeres em itálicos pra não ter que usar o recurso do negrito (mais forte e marcado no papel branco). Gostava do preto no branco. Achou que formavam uma ciranda. Tinha alguma esperança ... tanta!

Deveria. Disseram-lhe.

Ela nunca quis aquele formigamento insistente. Aquela volúpia motora. Aquela crítica sugerida: auto sustentada primeiramente ao redor dela. Ela nunca se disse atriz e não seria ali (naquela roda) que interpretaria um outro papel. Sabia se adequar ... sabia. Sabia porque insistia ... sabia. Fazia por força motriz. Insacíável. Irritante. Entre uma e outra havia nela ... uma pausa. Olhos azuis ... olhos cheios. Nela a transparência feroz de sempre. Urgente!

Coragem ... Quis ver a coragem e seus olhos vivos. Em seus olhos vivos.

03 Dezembro 2009

Naquele dia ....

Naquele dia ela tentou se distrair. Envolvida com os preparativos da noite de exibição não quis exibir-se. Nem pra si. Acordou cedo pra organizar a casa pois a sua ajudante viria purificar o ar. Recebeu-a acordada ... ela estranhou. No varal os lençóis estendidos anunciavam que o dia seria cheio... que o dia havia começado cedo. Denúncias.

Varal cheio ... pensamentos ao vento. Ar puro. Promessa de noite quente.

Do varal ao supermercado. Carrinho florido e bolachas doces apresentavam a dona que o conduzia sem muita pressa. Água mineral pra beber na garrafa. Água mineral pra colocar nas orquídeas. Pensamentos corriqueiros ... resoluções costumeiras. E ... lá longe ... uns pensamentos voltados para de noitinha. Ela se via como quem procura uma mercadoria lá no fim de um corredor. Uma suspeita: ela precisaria chegar mais perto ... observar-se. De noitinha viria ela na película. Um fim de dia, de tempo, de movimento. Processo concluso .... dentro dela tudo difuso. Estaria preparada para as despedidas? Saberia ser sincera consigo? Conseguiria dizer .... sim?

Fugia da expectativa. Do supermercado ao salão de embelezamento. Coloriu suas extremidades em tom vermelho intenso: sugestão de sua vizinha. Aceitou. Sentia-se adormecida, sentia-se quase desmaiada naquele esperado dia. Saiu de lá tingida e menos dormente. Escapou da palidez de alguns instantes. As 5 da tarde foi buscar seus dois amores e os trouxe pela mão quase como filhos. Inversão do tempo. De pai à filho. De filha ã mãe. Atraso do transporte ... menos tempo pra pensar no que viria. Um café rápido pra eles ... dois. Uma urgência nela a fez rejeitar o café amargo combinado com o pão (da mãe) com manteiga e mel. Tanto que quis disfarçar o tempo ... o tempo lhe faltou. Vestiu-se de preto perto das 7 e coloriu os pés com um azul salpicado pelo tom cor de rosa. Foram ... os três: pai, mãe e filha. Ordem invertida .... amor mantido.

Chegaram depois de muitos ... as duas amoras enfeitavam a sala de espera. Os vizinhos cúmplices de jardim e flores já estavam na fila. E ... muitos outros queridos há tempos. Além de tanto havia ele. Ele e a promessa de vinda dele. Ele chegaria para a segunda sessão. Ela teria que enfrentar a primeira sozinha. Sozinha não .... solitariamente.

Sentados no centro ... rodeada pelo afeto ... viu-se. Grande e cheia. Viva e densa. Acostumou-se consigo e viu sua Vera dar a luz à ela. Foi junto ... de longe se despediu daqueles 30 minutos de vida recortada. O processo refletido no produto? O produto materializava o processo? Acalmou-se. As luzes se acenderam e ela recebeu o que era seu. Carinho. Doces espalhados na retina. Não quis responder. Ainda não se responderia. Nem ousaria se perguntar ... lhes perguntar.

No fim do dia o balanço: ele ficou preso pela força do mau tempo: voo cancelado, atraso inesperado. As amoras doces fizeram dela uma geléia: deixou-se esmagar pela força do carinho em forma de abraços. Alguns lhe parabenizaram pela entrega, outros pela beleza da forma, uns tantos pelo carinho impresso no cuidado. No fim de quase tudo ela voltou sozinha. A emoção congelada pra depois. A dor de cabeça sinalizava uma certa exaustão. Acalmou restos de decepção. Juntou as mãos e se abençoou.

Viu-se no espellho retrovisor e não se estranhou.

Aliviaria e deixaria os dias correr.

Entre os retratos de família ... entre a ficção e a realidade. Ela esperaria pelo tempo ... corrente.

23 Novembro 2009

Ficção Viva: Um vestido e um amor, Retrato de Família e Betes ... os filmes gerados pelo Projeto Olho Vivo. Eu neles e eles em mim.


... era um mês especial. Não só porque antecedia o mês da vermelhidão que sinaliza o Natal mas porque era o fim de uma trajetória longa. As cigarras começariam a cantar. Provavelmente ela cantaria junto com elas. Aqueles 365 dias haviam passado por ela na velocidade de uma brisa boa. Ainda que houvesse sentido a força que há na tempestade, ainda assim, era a brisa leve que lhe fazia cócegas na memória. Chegava o dia do anúncio. O filme existiria. Dias 25 e 26 seriam lindos dias em Curitiba.



A película era pele. Pele delicada após dias de sol. Pele delicada após banho muito quente. A película era erupção da pele. Era à flor da pele que ela esperava pelo que viria. Ampliada não queria mais se diminuir. Não queria mais se encolher na poltrona do cinema pra se esconder de si. Iria se ver ... chegar bem perto da tela e aceitar o que havia construído junto com cada um deles ... delas. Não era ficção, ou melhor, era. Era ela emoldurada por Vera. Era ela a Vera que veio de uma realidade pesquisada. Da realidade à ficção. Fição Viva era mesmo um belo nome. Olho Vivo era mesmo uma exigência. Olhos úmidos eram mesm os seus.


Na quarta e quinta feira haveria cinema pra ela. Um cinema dela. Para pôr ela?

19 Novembro 2009

Distraí-se

... ela tinha olhos ávidos. Queria ver tudo que se passava ao seu redor. Distraía-se cotidianamente. Nada lhe prendia a atenção nem o cliente e seu pedido urgente, nem as colegas e seus pedidos colaborativos e nem ela mesma em sua displicência recorrente. Enquanto lavava a louça no balcão da padaria seus olhos davam voltas e mais voltas dentro da loja. Espuma entre as mãos e olhos vidrados numa cliente cheia de bossa. Analisou-a de cima a baixo e entre piscadelas curiosas projetou-se nela: das unhas escondidas na espuma do detergente ela se viu colorida por um esmalte vermelho impecável. Sentiu aquele vestido leve e colorido pousar sobre seu corpo cansado. Imaginou o peso daquela bolsa amarela: o peso do cansaço aumentaria ou coloriria? Ficou por lá encarnada naquele corpo até a vida lhe salvar: a explosão do liquidificador fez o contato do líquido retrair a pele jovem. Uma espécie de frio: quase um calafrio. O uniforme manchado pelo chocolate fez com que Bia voltasse ao seu eixo. Os rodopios poderiam fazer vasar: dos líquidos às emoções. Pegou um paninho de louça e secou a pia antes de secar a si mesma. Concentrou-se por alguns segundos antes de se deixar levar por seus olhos ligeiros. A moça da bolsa amarela se foi segurando suas compras dentro de sua bolsa retornável. Retornaria sem nunca ter abandonado Bia. Há imagens que se perpetuam nas retinas.

15 Novembro 2009

O grande e talentoso Marco Novack que é o responsável pelos registros fotográficos do projeto Ficção Viva lá do Olho Vivo pediu pra que eu divulgasse o novo espetáculo da trupe dele. Um pedido desse artista sensível e delicado .., pra mim ... é uma ordem. Vou dar uma espiada ... parece bem bom. Tem música ao vivo e isso já é uma preciosidade pra mim.
Para quem estiver nessa terra deliciosa que é Curitiba .... aí está o serviço:

SINOPSE – MANSON SUPERSTAR
A peça é narrada, em esquetes em forma de “clipes musicais” tendo como base cada uma das faixas do disco gravado por Manson no estúdio dos Beach Boys. Cada faixa, interpretada ao vivo em violão e voz pelo ator intérprete de Manson, ilustrará cada um destes momentos onde o protagonista de cada cena tenta de alguma forma encontrar sua afirmação. As cenas se desenvolvem no período entre Maio de 66 quando a jovem Susan Atkins se prepara para entrar em cena como uma garota satânica ao lado de Anton la Vey, passando pela morte de Tate em agosto de 68 até a condenação de Manson. Com esta estrutura de “clipes”, a peça se apresenta como um grotesco espetáculo musical, onde a doçura das canções servirá como contraponto ora a crueldade ora ao patético da cena.
Direção Paulo Biscaia Filho
Direção Musical :Gilson Fukushima Produção : Tânia Araujo Iluminação : Wagner Correa Cenário e Figurinos: Paulo Vinicius Adereços:Thiago Di Giovanni Arte do Cartaz: José Aguiar Foto: Andrea Paccini Estrelando: Andrew Knoll - Charles Manson Leandro Daniel Colombo - Roman Polanski Carolina Fauquemont - Sharon Tate Wagner Correa -Jay Sebring Michelle Pucci -Leslie van houten Marco Novack - Tex Watson Rafaella Marques- Susan Atkins Ana Clara Fischer -Patricia Krenwinkel
Mais informações: www.vigormortis.com.br
SERVIÇO:
TEATRO NOVELAS CURITIBANAS
RUA PRES CARLOS CAVALCANTI, 1222
FONE: 3321-3358
19 DE NOVEMBRO A 20 DE DEZEMBRO
5ª A SABADO – 21 H
DOMINGO – 19 H
INGRESSO: 01 LATA LEITE EM PÓ
IMPRÓPRIO PARA MENORES DE 18 ANOS

08 Novembro 2009

À caminho de Machu Picchu: meios de transporte.

No caminho: dentro do ônibus à uns 10 minutos de Machu Picchu

Dentro do ônibus


Dentro do trem


No tuc-tuc pra pegar o trem pra ir à Machu Picchu

06 Novembro 2009

Entre o Vale Sagrado e Machu Picchu havia ela. Ela e sua volta ....

Ainda quero escrever sobre como foi pisar no Sagrado. Ainda quero lhes dizer sobre a impressão de se reconhecer na ancestralidade que o tempo acomoda. Mas Machu Picchu exige inteireza, exige um tempo delicado e esse não se faz presente em mim. Logo ele virá. Nem a fotografia ainda existe aqui ... tudo por lá ... que veio de lá é preciosidade e merece o melhor dos meus dedilhares. Tudo logo virá.
.... enquanto isso ...
.... No meio disso tudo ela estava de volta. Veio cheia de pedrinhas coloridas dentro do coração, veio cheia de auto-perdão, de sublimação. Das alturas veio cheia de nuvem e o tempo havia esquentado muito mais do que o esperado. Sexta-feira abafada depois de dias de elevados 33 graus inadequados para aquela terra deliciosamente fria. Sexta-feira nublada ... e isso já lhe alegrava imensamente ... promessas de chuva ... de virada de tempo. Uma inversão. Subversão a auto-aceitação?
Foi ver um dos filmes deles e delas. Não sabia ao certo se veria o seu. Se se veria em formato diminuto na tela do computador.Não duvidaria se a entrega embrutecesse alguns traços de beleza. Por certo assim se veria ... deformidades que a alma impõe. Sabia que a beleza não lhe sustentaria ... nunca lhe sustentou. Mas ver-se depois de tanto tempo lhe atormentava a alma e o esmalte roseado recém pintado insitia em desaparecer tamanha era a sua aflição. Pensou nos vinte e tantos dinheirinhos gasto ... manteve-se no prumo durante a exibição primeira. Era ela .... estava lá ... insistentemente presente durante todo o filme. Isso ela não podia negar. Era um belo começo. Comprovou que o tempo havia virado e tudo aquilo não era apenas uma previsão. Depois da sala escura, depois de falar do outro pra se esquivar de falar sobre si percebeu que a chuva havia molhado a calçada que lhe faria voltar pra casa. Dentro. Pra dentro. Esperaria um tanto mais pra poder se analisar ... analisaria com tempo o todo sem se perder pela divisão que há nas partes. Deixou-se pra depois.
Estava aprendendo a esperar. À não mais desesperar.