Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

12 fevereiro 2009

Feedback

Depois do que viu ... do que sentiu ... era chegada a hora do que lhe diriam. Preparou-se pra ouvir com verdade de alma. Ouvir sem alimentar muitas defesas, por enquanto, era isso que seria possível prometer. Foi e pelo caminho ouviu músicas conhecidas que pulsavam através do rádio de uma forma (sempre) inesperada. Tinha a sensação de que advinhavam seus desejos ... sentia-se tocada, profundamante tocada. Algumas melodias despertavam o que parecia adormecido dentro de si: restos do que foi, vontade de saber o que poderia vir a ser. Foi e quando chegou se deixou aquietar. Uma mesa dentro da cozinha transformou-se numa espécie de ponte. Sentiu um cheiro vindo do forno, viu a fumaça que ensaiava seu vapor pela chaleira: um convite à ficar por lá. Bem a sua frente ... ele e seus olhos profundos que denunciavam um certo cansaço. Entre perguntas e respostas o tempo passou por entre eles. (A intimidade é sempre uma conquista). E ... outros vieram e a cena se enriqueceu. Depois do lanche, naquela casa que respirava arte e produzia cenas, viram-se emoldurados pela tela. E, depois dela, havia os três, os três em seus mundos, os três e uma possibilidade de compartilhar, os três e a tentativa de buscar uma unidade. Ouviu primeiro. Disse coisas suas ... só depois.

Guardou: havia necessidade de se explorar um tanto mais, sentir em si o eco da relação, deixar-se livre pra vibrar com a cena, com o que se passa (entre). Ampliar os poros para que o corpo pudesse ser ... junto com o dizer. Tratava-se de sentir com a verdade de cada instante. Aquietar-se pra se movimentar organicamente.

Guardou e se resguardou. Foi embora consigo pra não dissipar o tanto que havia recebido. Foi embora consigo e tornou a ouvir as músicas inesperadas de sempre. Foi embora consigo pra retornar menos crítica que antes. Foi embora consigo pra não se abandonar.

Quis registrar até os respiros. Há coisas que nunca serão possíveis registrar. .. é só na alma que se imprime ... tatuagens.

4 comentários:

Fiona de Bourbon disse...

Tem hora que eu entendo tudo. Tem hora que eu não entendo nada. Agora mesmo tô sem entender, e olha que eu li duas vezes. Mas deve ser uma coisa boa, né? :)

beijooo

Bel disse...

Cris, tu és, realmente, uma querida. Leu duas vezes foi? Olha ... teu exercício de paciência me cativou um tanto mais. Tu gostas mesmo de mim! Ponto pra tu ... como dizes!
Mas, foi coisa boa, sim. Foram análises críticas sobre um processo de formação em que estamos experimentando, sabe?
Te explico melhor dias desses ... quem sabe, um dia, ao vivo?
Beijos, querida... muitos. E meu melhor riso, provocado por ti.
Bel

Sofia Fada disse...

Sempre bom ter feedbacks sobre as coisas que a gente cria...
bel, você é atriz?

um beijo, querida

Chris Spode disse...

Bel! Delícia experimentar através da sua sensibilidade outras visões e sensações das coisas do meu - do nosso - dia-a-dia: a chaleira, nossa mesa, nossos lanches, que guardam, em cada tarde, uma história nova a ser contada... Se a a "nossa" casa é assim, e tem a capacidade de produzir arte, é pq conta com pessoas como vc, q (usando suas proprias palavras), tem o olho bem vivo, e enriquecem todo o processo... beijos!!