Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

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30 maio 2010

Frost free

.... era aquela corda de violino naquela música hermana. Só poderia ter sido aquela corda de violino que insistia em se destacar enquanto ela ouvia aquela música densa. Estava tudo calmo e terno. Só poderia ter sido aquela corda de violino. Porque de tudo, daquilo tudo que sempre há ao seu redor, ainda lhe faltava um único arremate.
Um sopro de poesia.
Foi de meias à cozinha. Abriu a porta do congelador frost free e sentiu o ar refrigerado num dia frio. Gelo nos pés e uma espécie de bruma fria à frente do rosto. Imitações de fumaça .... gelo seco. Entre o branco e o vermelho adormecido viu os sacos plásticos que embrulham e protegem os pedaços de carne. Havia carne moída. Demorou pra encontrá-la.
Toda a carne congelada perde a forma. Há massas homogêneas. Sempre haverá homogeneidades nas massas. E a singularidade era forma nova. Siempre seria. Talvez um banho na chuva .... talvez uma água quente no chuveiro. Melhor se o descongelamento fosse natural.
A naturalidade é sempre fresca e nova. Renova.
Ela queria renovar aquela exigência de densidade dilacerante. Siempre se quedaria ... siempre se sentiria como siempre. Seguiria o curso do rio só pra variar. Congelada afundaria.
Havia nela uma agonia cortante de ir mais pra dentro. Mais à fundo. Descongelaria-se daqui há alguns instantes. Esperaria pra poder boiar e se deixaria seguir.

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