Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

26 fevereiro 2008

Contato ... para o Gio.

... o dia havia se alongado. Há dias ela esticava o tempo de seu adormecer. Já marcava quase duas da manhã quando decidiu abrir sua caixa de e-mails.

Pausa 1 - O que era um hábito diário pra maioria de seus amigos ... para ela era uma espécie de sacrifício. Nunca havia se dado bem com esse universo informatizado, seu analfabetismo beirava o descaso. Mas ela era assim.

Pausa 2 - Há pouco tempo havia descoberto (através) da janela formatada pelo blog uma maneira mais simples, rápida e prazeirosa de se comunicar... ou de se relacionar com quem lhe fazia sentido: com os que lhe eram queridos. E dessa forma se afastou ainda mais dos e-mails de antes.

Bem ... fato é que havia aberto sua caixa de entrada quase que instintivamente. Não poderia mentir: não, ela não havia sentido uma espécie de chamado (e ... quando pensava nisso .... era ainda mais fantástico!). Simplismente foi verificar que nada lhe surprenderia. Mas, é o inesperado que sempre antecede o tempo do encontro. Só ele abre espaço pr´um instante ... único.

Um contato se anunciou! Seus olhos molhados pela sensação da extensão de seu imenso dia sequer pestanejaram enquanto o clique acelerado se fez. As letras pareciam amontoadas tamanha a ansiedade daquele tempo: um presente. Uma referência de tempos ... novamente se dizia em forma de saudade ... dizia-se de forma tão suave que ela sentiu uma brisa numa espécie de sopro dos bons ventos de antes. Correu os olhos por cima de cada palavra e encontrou seus sentidos. O conjunto delas lhe pareceu uma espécie de tese ... talvez porque fosse uma espécie de senha. Talvez porque a fundamentação de uma tese confirme alguns argumentos ... conhecidos. Talvez porque aquele (re)encontro parta de um mesmo pressuposto: uma saudade!

Ele sempre foi sua referência intelectual. A esfera acadêmica havia facilitado o encontro. Mas ela jamais poderia ter dimensionado a amplitude daquele primeiro instante. Ele era mais do que um intelectual-mediador: era uma fonte de inspiração para muitos. E, pra ela ... era ainda muito mais do que isso! Ele sempre foi seu centro ... seu início e seu fim ... sem passar pelo meio. Ela havia "treinado" várias aproximações para o salto em altura (que a vida sempre exige) ... mas ... foi com ele que ela aprendeu a superar seu medo: inicial. Jamais havia imaginado poder saltar tão alto ... seu treinamento havia sido cuidadosamente planejado e a técnica exigida se fundamentava para além da mimetização. Ele havia lhe ensinado a pensar ... sobre si ... sobre as coisas "em si "... sobre a relevância e o contexto de um tempo. Ela havia entendido o significado "de quem se movimenta" porque ele havia lhe segurado pela mão. Ternamente.

Claro que ele sabia de suas imperfeições. Ela nunca havia disfarçado! Mas sua generosidade acadêmica lhe fazia insistir um pouco à mais com ela. E o tempo se fez amigo! E a vida lhe fez querer ser um dia ... um pouquinho como Ele! Antes do tempo previsto ela se afastou de tudo ... do mundo construído pra ela com os olhos vívidos dele. Ela se foi ... e a despedida nunca se deu!

Talvez por isso o (re)encontro tenha sido tão festivo! Quase tudo havia ficado lá para trás. Menos, ele. Ele é presença eterna! Quando lhe perguntavam o que fazia da vida ... Ela timidamente (as vezes, até envergonhadamente) respondia: " eu sou o que já fui ".
E ... tudo que ela havia sido era graças à ele. Sua pequena história profissional era obra grandiosa dele. Pensou que (por certo) ele também deveria ser questionado sobre a ausência dela. Pensou sobre o desconforto imposto à ele. Desviou-se.

Retornou: ... era tão vivo o que ele havia lhe escrito. Uma saudade sincrônica se deu ... e ... aos poucos ... tudo ficou como sempre foi.
Um estado pleno de partilha. Uma amorosidade latente! Um encanto! Uma referência em mais de mil vidas!

E a gratidão se transformou em pensamento ... bom. Ela queria lhe devolver em dobro tudo o que ele havia lhe ofertado. E sussurou baixinho (numa espécie de súplica): quem sabe um dia!
Ouviu uma resposta vinda de algum lugar: "Há possibilidade! Sempre haverá ..."

6 comentários:

Daniella disse...

Que lindo Bel...que delicadeza...que viagem gostosa para quem lê... e o livro qd sai?
Bjins, Dani

Bel disse...

Pra Dani: meu melhor sorriso.
E um beijo afetuoso.
Bel.

Mural da Zeiza disse...

Eu sabia q era ele q estavas se referindo...mesmo com 1001 voltas de riqueza de palavras eu captei dessa vez!!! Fico feliz qdo consigo entender...

Bjss

Anônimo disse...

Belinha, doce amiga,

Tens na palavra a doçura do suco de cana bebido na beira de uma praia da nossa Floripa.
E generosidade do sol que na manhã de hoje voltou depois de tanta chuva e tanto cinza.
Ser teu amigo (e eterno parceiro) supera o tempo e o espaço e nos insere neste teu firmamento, em que brilhas cada vez mais (nosso amigo Cae já disse que gente é pra brilhar, né?).
Todo o carinho do mundo. Beijo. Gio

Bel disse...

Geisa...adoro teus comentários bem-humorados. Minha escrita é um devaneio e quando alguns entendem...junto comigo...eu é que fico feliz...bem feliz!
Um beijo, comadre.

Querido Gio...
Tua resposta é pura poesia... assim como são tuas ações. Tens a beleza dos grandes! És eterno.
Outro beijo e minha eterna gratidão!
Bel.

Jana disse...

Nossa que lindo!
Agora que entendi o contexto, chorei de emoção. A vida ao lado dos sábios (de espírito), ou a compreensão dela, inspirada por eles, torna-se tão mais fácil, porque eles abrem os caminhos!... Com sua generosidade, nos mostram algumas certezas, nos remetem ao melhor, mas não cobram nada em troca... Que bom que eles existem né?