Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

03 março 2009

Saramaga, Saramagra, Saramada, Sara... Um primeiro movimento. Gratidão




Era um dia quente em terra costumeiramente fria. Perto dos 35 graus ela se derreteu. Desde aquele primeiro passo dado em direção à um passado denso ela sentiu que seu olhar havia derretido e quase verteu. Na ante-sala a vida já pulsava forte, em cada canto a raridade de um novo encanto. Aquela casa viva era tão cheia que pensou ser impossível Saramaga morar dentro dela. Olhos grandes e vívidos, maõs expressivas e ágeis, lábios que davam forma a uma fala ritmada por sussurros alternados por tons eufóricos. Uma artista, por certo, pousava bem a sua frente. Viu suas asas e admirou seu brilho intenso. Aos poucos sua altivez foi se acomodando. A classe havia sido mantida mas a altivez primeira foi sendo reduzida. Talvez a frouxidão deveria se conquistada. Reconhecendo seus pares, aos poucos, Saramagra foi se assentando em sua poltrona secular. E a cada nova descoberta a confirmação da sincronia. Tudo era tão cheio de significados que parecia um cenário imaginário. Em meio a tanto descarte, a tanta tentativa de fuga, a confiança de um gesto primeiro: a acolhida. Uma cômoda rebuscada poderia servir de vitrine viva para armazenar emoções. Mas nem toda herança pode ser mantida. Desapegou-se de suas impressões poéticas. Revirou seus olhos em direção a imensidão daquele mundo e voltou pra si. Entre goles de café. ... engasgou-se. Regou-se com goles de água.
A vida era mesmo uma forma circular. Aquela suspeita antiga havia encontrado um eco certo. Dos anéis coloridos ... dos círculos vividos. Adornos... a beleza sempre mobiliza.
A vida de Saramada era emoldurada por seus olhos expressivos. Cada objeto que ela acomodava em seu ninho dizia muito da história poética que ela sequencialmente escrevia e prescrevia em seu fazer habitual.
Viu-se ali sentada numa das relíquias avermelhadas que Sara guardava ... viu-se como quem se percebe fora de si. Não conseguiu se desviar daquela vida desmedida. Intimidades se deram. Deram-se. Deram-lhe anéis prateados como símbolo de aliança. E os círculos mantiveram-se vivos em formas e texturas: delicadas. Recolheu-se num primeiro movimento. Num segundo, por certo, se derramaria. Preservou-se.
Quis lhe pedir desculpas pela velocidade imposta ao ritmo.
Quis lhe pedir desculpas pela indiscrição de querer sempre, um tanto, mais de um momento.
Quis lhe dizer que raridades existem e sempre insistem em sobreviver no percurso marcado de um tempo. E, ela era prova viva disso. Ela e sua beleza artística poderiam invadir qualquer tela. Mesmo aquela pintada por ela. Ela era um antiquário dos mais lindos.
Quis lhe dizer que sua alma havia aumentado e atingido um volume de balão de gás. Quis lhe dizer que havia um fio de cobre que o sustentaria por muitos e muitos dias.
Quis e porque quis ... se deixou ficar.

10 comentários:

Nina disse...

Que mistura linda... a vida é mesmo redonda, gira em circulos.

a foto é aconchegante e as palavras mais ainda :)

Ana Carolina disse...

Nossa!! Que bacana! Achei meio enigmático!

Quanta vida vc dá aos objetos e cenas cotidianas! Adoro isso!

Que saudade de passar aqui...o trabalho não me permitiu antes.

Bebel, Bebel, quando pousará no Rio?

Beijocas

Chris Spode disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Chris Spode disse...

Bel!! Q experiência! Sabia q esse universo renderia bons - e belos - frutos, mas não esperava fruto tão poético! Mas a verdade é que grande parte da poesia do mundo, reside nos olhos de quem a enxerga - de verdade, sem névoas ou reservas tímidas.
Mal posso esperar para ouvir você falando com sua emoção costumeira disso tudo na sexta-feira.
beijos!!

SGi/Sonia disse...

Bela Bel,
que saudades de você, de te ouvir assim, falando tão docemente...

Marca um dia(que eu me viro!) e vamos tomar aquele cafezinho hein? Dessa vez eu acompanho no café e no bolo hehehehe

Beijins:*

Ana Corina disse...

UAU, adorei!
[respondi teu comentário lá no blog mesmo, tá? bjo!]

Renata disse...

Bel!

Quanta emoção, quanta doçura. Quanta vontade, quanta intensidade.
Quantas palavras, quantos sentidos.
Quantas virtudes, quantos anseios.

Quanta coisa.

Que lindo isso.

Beijo grande,

Rê.

Solange Maia disse...

Bel,

Tenho passeado bastante pela blogosfera, e de vez em quando acho tesouros como este seu espaço. Que loucura o que você faz com as palavras,,, que belo, que quente...

De quem é esta escultura azul ? Eu ameiiiiiiiiiiiiii............

Parabéns !

Quando puder visite meu blog também :

http://eucaliptosnajanela.blogspot.com

Beijo,
Solange Maia

Sabrina Jung disse...

Feliz dia da mulééééé!!!!

Bel disse...

Meninas adoráveis,

Bom estar de volta. Bom ver nossa ciranda ... eu sempre falo dessa virtualidade tamanha ... em mim.
Um beijo em cada uma ... estalado porque o estalo é o som do carinho.

Solange Maia ... bem-vinda!
Vou pedir autortização pra te apresentar quem faz essas belezas... sim ... essas... porque tenho fotos de outras.
Um beijo e até ...

Bel