Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

23 abril 2009

Dia claro num brechó úmido

Dias como aqueles faziam ela acreditar que o tempo realmente era o melhor remédio como aquele medicado à conta-gotas que de tão transparentes só poderiam aliviar toda e qualquer dor. Nem sempre a cicatriz aparece ... às vezes a costura na pele se renova e se desenha como se fosse uma curvinha natural como se fizesse parte do desenho que as rugas traçam na pele. Marcas do tempo .... marcas num tempo. Em meio à tantos contornos ela se permitiu aproximar ... sem medos, sem expectativas e sem dor. Foi junto pra poder somar. Quis compartilhar mais uma intimidade porque achou que já era o tempo do tempo. Sem previsões abriu-se pra viver um tanto de cada vez e ver se aos poucos como as coisas se dariam. Acreditava na possibilidade de se reconstruir o mundo todo ... porque não haveria de acreditar na possibilidade de estabelecer novas, e, primeiras ... relações? Revelações.

Foi e se sentiu confortável. O dia rendeu vivências de várias vidas. Limitadas pela calçada. Suspeitaram que toda e qualquer possibilidade de encontro precisaria ser conquistada. Avançaram um degrau. Haveriam que ultrapassar o umbral de entrada (o primeiro passo é sempre o mais difícil). Mas foram juntas e confiaram em seus movimentos ... por dentro e por fora. E, .... como nos brechós a vida se renova de tempos em tempos, as aperências sugerem e nem sempre conferem o que parece ser. Como nos brechós na vida há um tanto de tudo ... do que se foi e do que ainda pode ser. Como nos brechós a vida é cheia de relíquias penduras e sustentadas por ganchos suspensos no teto.... relíquias como algumas bolsas, outros casacos e um colete que acumulam pó mesmo quando são armazenados mais acima ... lá em cima como se o teto fosse uma espécie de ceú. Um armário perto do ceú. Pratelerias suspensas num espaço apertado. Como nos brechós a vida se manifesta inesperadamente através do primeiro olhar: encantado. E, a as coisas se deram uma após a outra ... cirandas lúdicas ocuparam grande parte do dia. Entrega, Confiança. Conquista. Falas reservadas num primeiro momento, entregas diluídas nos segundos subsequentes, histórias afetivas cheias de doçuras e sabedorias.... almas límpidas. Dia claro. Tempos bons.

6 comentários:

Biana França disse...

Bel, vc e sua forma tão única de falar de si. Costura sus história com linhas coloridas, onde os remendos passam despercebidos, ainda bem, e nos pegamos admirando apenas a beleza do colorido!!!
Não sei se foi um primeiro contato, mas que deu para sentir uma coisinha boa na conquista de uma nova amizade (ou qualquer outro tipo de afetividdae)
Beijo grande.

Chris Spode disse...

bel!!Já conversamos sobre isso, mas mais uma vez, vc comprova que o encatamento do mundo, resido nos olhos de quem observa... este universo é único - mas através dos seus olhos, ganha um encanto e cuidado -alento - que torna tudo mais colorido, ou no mínimo, mais vivo.
beijos querida, mal posso esperar para ver vcs apresentando tudo isso!

Biana França disse...

Bel, adorei sua visita ao diário...
Bjus

Elga Arantes disse...

Tive uma experiência, assim. Exatamente, assim.
Beijos.

Nina disse...

A comparacao que vc fez entre a vida e os brechós foi ótima! Um novo olhar sobre as mesmas coisas, sempre vale à pena, Belmel :)

Ana Carolina disse...

Como nos brechós, na vida nos encantamos pelas relíquias que as vezes nem sonhamos encontrar. Bel, você é uma dessas relíquias!!

Um beijo da Ana, enrolada no meio de tantos projetos...