Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

22 julho 2009

Fito Paez e seus vendavais musicados em mim!

Ela havia sido presenteada por ele há algum tempo. Não sabia bem ao certo o por quê. Mas esperava o momento preciso ... guardou aquele cilindro prateado por mais de 15 dias. E veio o dia ... e veio a chuva fria. Transparências anunciadas. E ... veio a melancolia em essência. Em doses homeopáticas foi gotejando. E ... veio a fragância daqueles outros tempos. E ... veio a segunda música como presságio. O som da música foi chegando como vendaval. Veio em rodopios. Veio sussurrando. E ... era sempre assim: uma dor cantada sempre lhe pegava pelo estômago. Haviam lhe dito que aquele seu chacra era desprotegido. Melhor assim, talvez, por isso sentisse tanto! Já havia morrido algumas vezes e só quem sente a dor do último respiro sabe o esforço que há no percurso da volta. Volta da revolta. Há revolta na volta?

Aquela música ... embala por Fito era um sopro de alento, um acalento poético que lhe tirava o fôlego. No lugar dele abria-se espaço para um novo suspiro. Ressurreição.

Inevitável: ela e seus olhos úmidos.

Entendia boa parte. E ... a parte que não compreendia ... pressentia. Sabia que iria doer.

Paez cantava : "algo de vós chega até mim". E como agradecer a cumplicidade que se firmava desde algum tempo? Como agradecer a poética musicada e presenteada por ele? Como agradecer a lembrança dele? Desistiu de agradecer ... carinho se recebia. Pronto! Ponto .... Parênteses. Queria poder lhe devolver. Tentaria algum dia.

Como dizia Paez com sua poesia em forma de pandorga "ela dava voltas e mais voltas" em roda de si ... ela era quase um furacão em dias em que se sentia assim. E em cada giro sentia aquele frio musicado, sentia aquela melancolia elevada na nota sustentada pela emoção. Um quase choro. O acorde do piano ampliado pelos fones de ouvido. O dedilhar do violão que acompanhava aquela súplica. E o volume exigia aumento. Ela queria engolir cada melodia. Sempre gostou de cantar ... queria saber cantar melhor. Havia feito um pacto com o divino: na próxima vida seria artista ... Ah! Seria. Por hora ... tentava ensaiar. Esforçava-se pra ser merecedora.

E ainda ... olhos úmidos! E sempre teve olhos úmidos. Dessa vez ... tinha companhia. O Senhor dos Olhos Cheios sabia um pouco do que sentia.

5 comentários:

Biana França disse...

Bel, é no meio de música que me sinto mais viva, que aflora minha sensibilidade.Essa sua gratidão pelas notas é algo encantador (amo música).Ah, tbm queria cantar melhor, rsrsrsrs.
Bjus

Chris Spode disse...

querida....
sabia q as musicas mexeriam contigo. engraçado como as vezes guardamos pequenas preciosidades para serem apreciadas qdo o tempo certo delas chega, qdo o mundo parece entrar em compasso de espera, e quase parar de girar, e só existisse aquele momento, e o presente a ser apreciado. olhos úmidos, olhos cheios, e a minha felicidade de ter tantos olhos vivos e queridos na minha vida. e de compartilhar e aproveitar a sensibilidade de vcs um pouquinho, seja através de músicas, seja através de esmagos. Sabia q o Fito te falaria coisas que só seus ouvidos escutariam, como sempre é.
aiai, saudades dos seus esmagos!
beijos querida! até logo mais! vais chegar e vai estar tocando Fito - em sua homenagem, e pq ele tbem não sai da minha vitrola....
beijos!

Renata disse...

Olhos úmidos e cheios. Engolir cada melodia. Pacto com o divino.

Cada uma dessas expressões merece uma música...

Um beijo muito grande,

Rê.

SGi/Sonia disse...

Foi ver Fito onde?

Fui a um show espetacular dele na década de 90 no Rio de Janeiro. Um espetáculo, eu e maridones sempre repetimos que queremos vê-lo novamente, na época maridones morava em BSB e eu aqui, então nos encontrávamos em cidades que seriam o "meio" do caminho, algumas para aproveitar o frio, outras para aproveitar o calor, outras para ouvir boa música, outras para dançar até suar....

Mas agora somos pais e nunca sabemos o que se passa na agenda cultural heheheh

Beijins:*

Bel disse...

Biana ... as músicas nos colocam em suspensão, mesmo! Imagino que contigo deva ser assim ... és tão sensível quando olhas para o mundo que te embala!
Um beijo,

Chris ...
Tu já me conheces um tanto! Temos muitas coisas em comum ... direcionamos nosso olhar para um mesmo foco. Temos muitos queridos e queridas na ciranda que é o nosso projeto lá do Olho Vivo.
E nossas vitrolas tem agulhas finas ... só preciosidades nos fazem valsar.
Muitos esmagos!

Rê as frase pinçadas por ti me fizeram pensar. Parei pra te conhecer um tanto mais. Parei pra perceber que essa virtualidade é tamanha mesmo e que a profundidade pode ser reconhecida e compartilhada mesmo por aqui. É tão bom saber que estás por aqui comigo. Tua doçura é alimento pra minha alma inquieta.
Um beijo,

Soninha ...
Não fui a um show. Ganhei um cd de uma pessoa muito querida que tem olhos cheios de vida e poesia. Um querido que faz arte ... de verdade e com amor.
Fui num show do Fito na década de 90 também... foi lá em Floripa. E desde lá ele sempre me impressiona pela intensidade em que se expressa no seu lamento-canto. Sua temática é sempre o amor ... mesmo que seja o desamor que o amor provoca ... por vezes. E pra mim ... só o amor: cura a alma e nos transforma.
Saudades.... estou começando a filmagem e o tempo se foi... está indo. Desculpa a ausência ... mas me conheces um tantinho e já sabes que estou entregue e tentando chegar no melhor que posso.
Um beijo triplo ... sabes bem porque.
Bel.