Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

02 agosto 2009

Segunda-feira

Carregava bem junto dela uma certa vergonha por desmoronar. Ainda que não pudesse evitar. Ainda que a dor explodisse ela havia sido avisada. Latejava. Tinha uma enxaqueca que a derrubava em dias de muita exposição. Esvaziava-se de tempo em tempos. Tinha uma espécie de acidez que precisava ser repelida de tempos em tempos. Sofria por não ter controle, por se fragilizar de uma hora para outra. Queria ter se poupado um tanto mais, não ter se contaminado por tantas energias devastadoras. Queria não ter visto olhares tortos, falas desnecessárias, confronto anti-ético, velocidade diminuta quando as coisas exigiam acelerações progressivas. Queria ter disfarçado. Mas era "atriz" iniciante ... ainda. Era uma aprendiz de"atriz". Visceral demais.

Deixou-se abater. Rebatida se viu amontoada no chão daquela sala desconhecida. Produção confortável. Sala de visita. Nenhum convite foi lançado. E ela nem sabia onde era o vaso (o ... sanitário). E, cada um em seu círculo. Quase não se percebem. Importava só o que era importante. Produção? Há ação? Esconde-se a mão ... escondem-se os olhos. Desprevenida viu o que já previa. Em cima de saltos há degraus de graduação.

Preserve-se. Previna-se.

Proteja-me.

Em meio ao caos ... vem ela. Ela e sua delicadeza de toque, seu conforto em forma de calmante. Veio ela e sua beleza propulsora. Levantou seus cabelos enquanto a acidez pedia passagem. Nem um nojo, nem um zelo pra si. Ofereceu sua parceria que apesar de conhecida não parecia ocupar aquele tamanho todo. Das mazelas de tudo aquilo viu uma amiga se oferecendo, viu as mãos nas mãos até a chegada em casa. Viu o cuidado, o susto, o conforto dela. Ellenzita e sua armadura desfeita. Entregue em sua entrega. Nunca poderia agradecer toda a ternura que a envolveu e protegeu. Sabia que a cura viria em ondas.

Ainda houve o calor vindo dele, os cabides desmontados em frente ao posto de gasolina. O cheiro que em dias como aqueles se avolumam. A espera pela carona. O cuidado propondo descanso. Mas ela estava fragilizada demais pra receber ... estava envergonhada demais pra se perdoar. Pra perdoar o transtorno daquele dia: o cancelamento do ensaio que foi dividido na metade.

Culpou-se como habitualmente procedia.

Quis se esconder mas sabia que teria que enfrentar um novo dia. Ela havia passado dois dias sobre aquela cama box. E sentiu a tortura da dor que consome mas que sempre ensina. Precisava se levar menos a sério. Precisava tolerar mais do que suportava. Precisava se envolver com quem lhe fazia bem. Precisava precisar. Precisar o quanto era importante aquele momento em forma de movimento. Precisava focar e se deixar levar pela "Ação".

Haveria uma segunda chance na segunda. Sempre haveria segundas.

Aprenderia a se perdoar.

2 comentários:

Chris Spode disse...

Querida. Se perdoe, se preserve, se proteja. Se cuide. Tudo isso vai passar, não se preocupe.Vc vai encontrar dentro de vc toda a força q precisa para enfrentar tudo isso de frente, e dar o melhor de vc, com a entrega q eu sempre observo em ti, seja nas relações, seja em seu trabalho.É isso q te destaca, q te faz forte: sua entrega. Então, concentre-se em vc, e no q vc faz de melhor - se entregar.E assim, tudo dará certo, tenho certeza. Fico feliz que a Ellen estivesse lá com vc, segurando seu cabelo e sua alma. E saiba q aqui, vc tbem sempre terá alguém em quem se apoiar.
beijos querida. adoro-te, viu??

ellen disse...

Belinda!!! Isso mesmo, como eu falava, há coisas que não escolhemos.
Vi sua angustia, sua vergonha e sua fragilidade!
E não poderia ser diferente minha reação em te acolher amiga...achei que seria o minimo, emsmo querendo que fosse o maximo para aliviar toda dor que sentia!
Estou sempre do seu lado...tenha certeza!
beijos de sollll...eba! ele apareceu!:)

Lem*