Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

16 novembro 2010

O tapete que ainda não enfeita

... tinha um tapete bem no centro da sala. Ela mesma havia empurrado um pouco de sujeira para debaixo dele. Ela mesma havia percebido aqueles restos de si armazenados embaixo do tapete que estava alí há mais de ano.
Tratou de arregaçar as mangas pra enrolar o tapete e ver aqueles montes de poeiras e restos bem de perto. Tratou de sussurrar algumas dores de antes. Ela poderia ter brincado? Poderia .... mas ele também poderia ter falado sério. Não ... talvez ele não pudesse. Porque naquele exercício seria algo pessoal. E as pessoalidades eram pra ser armazenadas embaixo do tapete da sala.
Era pra ser impessoal. Deveria ter sido impessoal?
Disso ela não esquecia. Mas o inesperado que nos espreita com seus olhos curiosos. Se ... deu uma dupla ... se deu um novo impasse. Corajosamente ... se deu.
Disse pra se libertar. Disse pra se perdoar. Disse pra não mais desdizer o que ainda sentia. Disse da sua tatuagem. Disse, antes, sobre si também. Disse mas nenhum eco se ouviu. Só viu mais um amontoado debaixo do tapete da sala. Talvez não houvesse mais tempo pra ver a poeira que amontoaria uns restos de mágoas.

3 comentários:

Déia Moura disse...

vc escreve muito bem!!! Adorei seu cantinho! bjo!!!

Renata disse...

Oi, Bel, querida! Saudades de suas palavras doces e dos seus pensamentos que parecem ler a alma do ser humano. Restos de mágoas amontoados. Só a forma de falar já traz uma coisa ruim, não é?

Beijos!

Bel disse...

Déia .... agradeço seu destaque. Não sei quais os caminhos te fizeram parar e tomar um ar por aqui.
Mas tua passada e elogio me fizeram bem.
Um beijo e muito prazer, viu?

Renata querida.... faz tempo. Mas as amizades virtuais se assemelham as reias .... passam anos e quando se reencontram ... parece que foi ontem.
Vou te ver logo .... ando meio atrapalhada por aqui ainda.
Um beijo ... tu és sempre muito doce.

Bel.