Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

Casa di Bebel ... Rabiscos sem papel

25 março 2009

À escuridão disfarçadamente azulada

A poesia tinha o poder de embelezar qualquer tipo de feiúra. Isso ela havia aprendido desde muito cedo. Desde que os dedos lhe apontaram pra ameaçar, desde que a mente doente acusava sem precisar.

Naquele dia depois do anoitecer ela se forçou ao mergulho. A queda seria reflexo do movimento de entrada para o mergulho. Da retomada do mergulho à manutenção do corpo dentro da água dependeria de equilíbrio. Boiaria como já havia boiado outras vezes. Mas existia nela a propensão à escuridão disfarçadamente azulada. Impulsionou-se e foi. Foi ... com a coragem de quem ainda sentia dor. A força veio da vontade de encontrar a relação. Forçou-se (sem poetizar) pra ver por onde poderia passear. Ainda que fossem segundos de vida ... existiram. Fagulhas. Mas para os gulosos ... fagulhas ainda são migalhas. Era pra ser mais .... ela também queria mais. Ofertou, recebeu, aceitou, ouviu e se deixou retirar. Antes do tempo: aquele necessário pra mastigar o que nem sempre é fácil engolir. Um tempo à mais poderia ser desgaste? Talvez. Retirou-se antes do tempo permitido. Ainda que o primeiro plano não lhe encaixasse num close fechado ela ficou de frente consigo. A cada nova relação com um(a) outro(a) ela tentava não se perder de si mesma ... ela tentava não se abandonar! Inédito! A cada nova proposta, a cada novo espaço-tempo dedicado a observar o "trabalho" (o seu) tinha um preço: o da entrega. Essa primeira exigência era definitiva. Ela sabia. E sabia também que aquela era "A" chance ... que o tempo corrido acelera o tempo da paciência ... que o encontro é construção, que a sexualidade tem dimensões humanas e precisa de laço, de olho, de jeito... que amanhã coisas ficariam e outras ... iriam. Esse era o fluxo. E, uma paciência impaciente lhe retirou do ciclo poético que lhe rodeava ... insistentemente. Era da ação que ela deveria se ocupar: cada coisa no seu devido lugar e cada lugar acomodando determinadas coisas. À seu tempo: devido.

2 comentários:

Fiona de Bourbon disse...

Novos projeto, Bel?
Me conta!

beijooo c/ carinho!

Renata disse...

Poesia em cada palavra, Bel. Lindo. Poesia demonstrada, poesia cultivada, querida.

Que bom te ler...

Beijo muito grande,

Rê.